Sereia-me Mermaid-me
fotografia - 2017

 

Sereia-me apresenta uma série de fotografias, com a finalidade de discutir manifestações específicas do distúrbio de personalidade Borderline, relacionadas à autoimagem e à auto destrutividade, através da representação poética artística.

Na série, o artista aparece em três momentos distintos vestindo sua cauda de sereia, fazendo alusão a uma reinterpretação das lendas nórdicas deste ser mítico, ao conto original de Hans Christian Andersen e a uma simbólica tomada de consciência. Num primeiro momento, Sguoti aparece na praia, feliz, com longos cabelos, centralizado e em destaque na paisagem.  Na sequência, a paisagem desaparece e dá lugar à cor vermelha, representando a dualidade da sedução e do perigo, assim como a beleza dos cabelos e a feição de alegria dão lugar a uma postura incomoda e um senso estético masculinizado. Como desfecho narrativo, a “sereia” já está fora de seu habitat, o plano da fotografia é fechado, a imagem concentra-se no personagem acuado, num recipiente que restringe seu corpo e propõe um ambiente artificial de sobrevivência para a “sereia”. Sua feição é anêmica, falta-lhe vida.

Uma das principais fontes de pesquisa para o desenvolvimento deste trabalho é o filósofo Gaston Bachelard com seus estudos de psicanálise sobre a água e os sonhos.

A sereia é um ser fictício que habita as águas do oceano e evoca inúmeras simbologias. Uma delas se refere ao próprio habitat da sereia, a água. Sua profundidade, fluidez e constante oscilação são relacionadas, muitas vezes, às variadas intensidades emocionais da psiquê. Do fundo deste cenário, surge a sedução encarnada em um ser belo, porém perigoso, que enreda o conflito emocional da ilusão. A sereia pode representar as ciladas e armadilhas do desejo e da sedução, na forma de uma pulsão intensa, que cega a razão e dá lugar aos instintos mais primitivos e destrutivos do ser humano.

A sedução também pode ser considerada como um processo de persuadir ou perverter, ou seja, uma ação ilusória de algo que parece ser bom, mas que pode trazer consequências ruins para ambos os lados.  A autodestruição acontece ao passo que os planos de seduzir uma pessoa não são concluídos com sucesso, pois o indivíduo que seduz, nunca se sente satisfeito, assim como uma sereia que seduz um humano para ter acesso a seu mundo, mas quando consegue, está anulada de sua natureza, sente-se deslocada e desconfortável por decorrência de suas atitudes.

A sereia que quer se tornar humana e precisa adaptar-se a terra por consequência de ter usufruído de sua sedução mortal, acaba por cair nas armadilhas de seu próprio canto.

Colaboradores: Thaty Yazigi, Leticia Nascimento e Nathália Cruz. 

Mermaid-me presents a series of photographs, in order to discuss specific manifestations of Borderline personality disorder, related to self-image and self destruction, through poetic artistic representation.

In the series, the artist appears in three different moments wearing your Mermaid tail, alluding to a reinterpretation of the norse legends of this being the Hans Christian Andersen's original  tale of mythical,  and a symbolic awareness.

At first, Sguoti appears on the beach, happy, with long hair, centered and highlighted in the landscape.  As a result, the landscape disappears and gives way to the color red, representing the duality of seduction and danger, as well as the beauty of the hair and the way to happiness give way to a position bothers you and a mannish aesthetic sense. As narrative outcome, the "Mermaid" is already out of your habitat, the photo is closed, the image focuses on the character at Bay, in a container that restricts your body and proposes an artificial environment of survival to the "mermaid". Your complexion is anemic, it lacks life.

One of the main sources of research for the development of this work is the philosopher Gaston Bachelard with his study of psychoanalysis on water and dreams.

 

The mermaid is a fictional being that inhabits the waters of the ocean and evokes countless symbols. One of them refers to the habitat of the mermaid, the water. Their depth, fluidity and constant oscillation are often related to various emotional intensities of the psyche. The bottom of this scenario, the seduction incarnate in a beautiful, but dangerous, which ensnares the emotional conflict of illusion. The mermaid can represent the snares and pitfalls of desire and seduction, in the form of an intense drive, which blind the reason and gives way to the more primitive and destructive instincts of human beings.

Seduction can also be considered as a process of persuading or pervert, that is, an illusory action of something that looks good, but it could bring bad consequences for both sides.  The self-destruction happens while the plans to seduce a person are not completed successfully because the individual who seduces, never feel satisfied, as well as a mermaid who seduces a human to have access to your world, but when you do it, is void of your nature , feels displaced and uncomfortable due to their attitudes.

 

The mermaid who wants to become human and need to adapt to the land as a result of having consumed your deadly seduction ends up falling into the traps of your own place.

© 2020 by Thiago Sguoti