MasQUEERada MasQUEERade

aquarela

2020

Com base nos conceitos de Mascarada da psicanalista britânica Joan Riviére, o trabalho refere-se à um termo utilizado para nomear o fenômeno performativo de mulheres que precisam incorporar uma feminilidade imposta e construída, contrária de qualquer essência genuína do sujeito, assim como homens gays que também são vítimas da mesma retaliação, que neste caso, performam uma masculinidade para mascarar sua essência geralmente contrária das expectativas oriundas de normas de gênero.

 
O título possui um trocadilho com o termo Queer, uma vez que o mesmo fenômeno da mascarada também ocorre com pessoas trans e não binárias.  Nestas aquarelas, expandidas com elásticos de máscaras cirúrgicas, os rostos de pessoas LGBTQIA+ são retratados como máscaras.
A ideia se concebeu durante a emergente recomendação do uso de máscaras em meio a pandemia do COVID-19, e da reflexão de que já vestíamos máscaras antes mesmo de tal vírus, para nos proteger de uma pandemia binarista em que o principal grupo de risco sempre foi a comunidade trans. 


Os rostos pintados são de pessoas de convívio e admiração do artista, que enfrentam diariamente estas imposições na vida pessoal, profissional, virtual, em suas casas, no trabalho, na internet e nas ruas. Estas máscaras criadas que mimetizam os rostos de quem seriam seus respectivos possuintes fazem uma analogia aos conceitos da Mascarada retomados pelo psicanalista francês Jacques Lacan e aos novos hábitos do protocolo de saúde em meio a pandemia do corona vírus. 

 

Tais mascaras que hoje se tornaram uma extensão do nosso vestuário, já vistas como um novo acessório de moda e expressão de personalidade, podendo ou não contribuir para uma leitura errônea de corpos trans.

Based on the concepts of Masquerade by the British psychoanalyst Joan Riviére, the work refers to a term used to name the performative phenomenon of women who need to incorporate an imposed and constructed femininity, contrary to any genuine essence of the subject, as well as gay men who they are also victims of the same retaliation, which in this case, perform a masculinity to mask their essence, which is generally contrary to expectations arising from gender norms.

 

The title has a pun on the term Queer, since the same phenomenon of masquerade also occurs with trans and non-binary people. In these watercolors, expanded with elastic surgical masks, the faces of LGBTQIA+ people are portrayed as masks. The idea was conceived during the emerging recommendation to use masks in the midst of the COVID-19 pandemic, and the reflection that we were already wearing masks even before such a virus, to protect us from a binary pandemic in which the main risk group was always it was the trans community.

 

The painted faces are of people of conviviality and admiration of the artist, who daily face these impositions in personal, professional, virtual life, at home, at work, on the internet and on the streets. These masks created that mimic the faces of those who would be their respective possessors make an analogy to the concepts of the Masquerade taken up by the French psychoanalyst Jacques Lacan and to the new habits of the health protocol amid the pandemic of the corona virus.

Such masks that today have become an extension of our clothing, already seen as a new fashion accessory and expression of personality, may or may not contribute to an erroneous reading of trans bodies.

© 2020 by Thiago Sguoti