ensaio sobre o domínio Essay On The Domain
 
Performance | 2015

Registros de ações urbanas

 

 

Ensaio Sobre o Domínio é uma performance com duração de 1 hora e foi realizada em diferentes locais da cidade de São Paulo. A performance é realizada em espaços relativos pois a variação e contrastes dos ambientes se relacionam com a ideia central da performance, cujo performer se coloca frente à objetos (como uma caneca, um guarda chuva, um regador, um vaso, etc.) realizando uma ação simbólica de encarar o objeto questionando basicamente a influência que simples objetos têm sobre nós.

 

A performance consiste em um olhar sobre a relação do homem com os objetos que os rodeiam. Através do contato visual e da troca de energias com esses objetos, a ação visa discutir sobre como a forma dada a eles pelo homem também transforma nossa subjetividade, moldando-a a fim de corresponder às necessidades de uma produtividade capitalista. Destituindo os objetos de seu caráter funcional, podemos pensar os objetos menos como objetos e nós, humanos, menos como sujeitos, para poder pensar em ambos como organismos, que habitam e coexistem em um mesmo ambiente.

 

A relação entre dominador – o homem – e dominado – o objeto – é construída socialmente e não está livre dos efeitos da temporalidade. É através dos dias, no fluxo do cotidiano, que se elabora o relacionamento entre sujeito e os elementos da sua vivência material. Tal relacionamento é suscetível às oscilações de concepção, perspectiva, humor e experiência que se refletem nos indivíduos. Conforme vive-se através do tempo, conforme se envelhece, a confluência entre atores e objetos se altera.

 

O tempo pesa sobre a forma como se lida com os componentes da realidade física dos agentes. Proponho, nesta performance, uma análise que também abrange o olhar sobre a presença do tempo: manifesta-se, para o artista, no cair dos ombros, no tombar dos olhos, nas variações de inspiração e expiração; para o objeto, o tempo é o que traz o pó, a perda das cores originais, o desgaste da superfície e a destruição. Ao longo das horas, observa-se como o homem e o objeto se percebem: o artista, paulatinamente, deixa de ser o fio que conduz a atividade e o objeto, empoderado, adquire novos sentidos para sua utilização.

 

Realiza-se, portanto, um deslocamento de forças, um realinhamento de polos: o artista perde seu papel de “agente”, mestre da atividade, para ser subjugado pela existência ressignificada do objeto, que já não é mais passivo e indiscriminadamente útil para os desígnios do ser humano.

 

Busca-se, sobretudo, a percepção de que as criações do homem não são isentas de seu próprio fluxo. Um guarda-chuva, que aos olhos desatentos é apenas um “guarda-chuva”, é uma peça do cotidiano que maneja cores contrastantes, materiais metálicos resistentes, áreas de cobertura, dicotomias entre vazio e cheio, aberto e fechado, seco e molhado. Sob o viés do tempo, o guarda-chuva perde sua potência: as cores se esvaem, o metal se corrói, cordas estouram.

 

Finalmente, artista e objeto edificam uma relação inexplorada, que desequilibra a visão imediatista, utilitarista e mecanicista que rege as ações humanas do cotidiano inconsciente. O tempo, por sua vez, paira sobre estes novos atores e, com toda a paciência, modifica-os.

Criada a partir de uma oficina realizada pelo artista Renan Marcondes, esta obra tem como inspiração a sua pesquisa e linha de trabalho. 

[Texto por Thiago Sguoti e Erika Amaral]

[Registros de Thiago David e Thiago Alves]

 

 

 

 

 

Essay on the Domain is a performance with 1 hour long and was held in different places of the city of São Paulo. The performance is therefore held in spaces for contrast variation and the environment relate to the main idea of ​​the performance, which is placed opposite the performer object (such as a mug, umbrella, a watering can, a vase, etc.) performing a symbolic action to face the object questioning basically the influence of simple objects have on us.
 
The performance consists of a look on the man's relationship with the objects around them. Through the eye contact and the exchange of energy with these objects, the action aims to discuss how the form given to them by man also transforms our subjectivity, shaping it to meet the needs of a capitalist productivity. Stripping objects of their functional character, we think the objects less as objects and we humans less as subjects, to be able to think of both as organisms that live and coexist in the same environment.
 
The relationship between dominator - man - and dominated - the object - is socially constructed and is not free of the effects of temporality. It is through the days, the daily flow, that is elaborated the relationship between man and the elements of their material experience. Such a relationship is susceptible to swings design, perspective, humor and experience are reflected in individuals. As we live through time, as one grows older, the confluence of actors and objects changes.
 
Time weighs about how dealing with the components of the physical reality of the agents. I propose, in this performance, an analysis that also covers the look of the presence time: manifests itself, for the artist, the fall of the shoulders, falling over the eyes, on the inhalation and exhalation variations; for the object, time is what brings the powder, the loss of the original colors, the surface wear and destruction. Over the hours, it is observed as the man and the object are perceived: the artist, gradually ceases to be the thread that leads to activity and object, empowered acquires new directions for its use.
 
It takes place, therefore, a shift forces a realignment of poles: the artist loses its role as "agent", activity master, to be subjugated by the existence resignified the object, which is no longer passive and indiscriminately useful for designs of the human being.
 
Seeks, above all, the perception that the creations of man are not exempt from their own flow. An umbrella that the inattentive eyes is just an "umbrella" is a part of everyday life that handles contrasting colors, resistant metallic materials, coverage areas, dichotomies between empty and full, open and closed, dry and wet. Under the bias of the time, the umbrella loses its power: the colors fade away, the metal corrodes, burst ropes.
 
Finally, artist and object build an unexplored relationship, which unbalances the shortsighted, utilitarian and mechanistic vision that governs human actions of the unconscious everyday. The time, in turn, hangs over these new actors and with all patience, modify them.

Created from a workshop held by the artist Renan Marcondes, this work has inspired the research and your line of work.

© 2019 by Thiago Sguoti